Trechos de um diário de viagens pela minha cabeça

corto-maltese

Desenho de Hugo Pratt, um cara que entendia de tudo quanto é tipo de viagem

Revendo anotações do ano passado enquanto entro devagar, devagarinho em 2013.

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Se não for o medo, se não for a pena (pena que começa com autopiedade para depois chegar à tão almejada pena dos outros por você)… se não for nenhum desses caminhos, o que sobra? A vida. A vida, ela. Sem desculpas, justificativas, fatalismos. A vida.
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Feliz ano novo

pai tempo

De manhã, sozinho no meu apartamento alugado, sentei no pufe colorido à beira da janela e olhei para a rua, vazia como ainda não a tinha visto desde que mudei para cá. Uma ou outra pessoa de branco, andando devagar. Passavam tão poucos carros que até o som de um bem-te-vi era mais alto do que qualquer outra coisa. A obra em frente estava parada, supermercados 24 horas estavam fechados, bares que nunca fecham estavam fechados. É O Dia em que a Terra Parou, e acontece uma vez por ano.

Pode parecer bobo esse lance de ciclos, de eleger um dia entre outros para marcar finais e recomeços, sendo que a vida continua aí, acontecendo à revelia do calendário. É que a gente precisa disso. Os ciclos, os rituais de recomeço servem para a gente enxergar o novo que existe em cada instante. Dormir e acordar, morrer e renascer, Ano Novo, Ano Velho. É para libertar a gente do passado, da carga de culpas e desculpas, repetições e padronizações que o passado nos traz, e poder olhar de olhos abertos para o dia que está aí na sua janela: um dia diferente de todos os demais, um sol como nunca houve outro. Sonhos, oportunidades, dores e amores como você nunca conheceu, e que estão aí, esperando por você.

Feliz ano novo. Feliz dia novo. Feliz instante novo. Que tudo é novo. Sempre.