Quem me dera
um mapa de tesouro
que me leve a um velho baú
cheio de mapas de tesouro.

Paulo Leminski

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Os exilados da democracia

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Em 13 anos de experiência de cobertura da segurança pública, o repórter da Folha denunciou a existência de sete grupos de extermínio formados por policiais. Por causa disso, acumulou processos por “calúnia e difamação” de agentes que se sentiram atingidos. Não foi condenado em nenhum deles, mas viu o time de desafetos crescer. Para Caramante, as ameaças contra ele e a família partiram de simpatizantes de policiais como esses.
“Foram feitas ligações anônimas à redação da Folha dizendo que sabiam onde eu moro, onde fica a escola de meus filhos e que a ‘nossa hora’ estava para chegar”, conta. “Além disso, postaram uma foto do diretor de redação do jornal, Sérgio Dávila, como sendo eu. Entendi como um recado também à direção da empresa de que o cerco de apertava. Então, em comum acordo com o jornal, se decidiu que eu deveria trabalhar à distância.”
A estratégia durou menos de três semanas. Caramante e a Folha concluíram que não era seguro permanecer na cidade. No dia 11 de setembro, o repórter, a mulher e os dois filhos — um com menos de 2 anos e a outra com menos de 5 — embarcaram para Nova York. (…) Lá fora, embora se sentindo em segurança, o casal de jornalistas descobriu que a democracia brasileira produz exílios.

A história de André Caramante, Mauro König e outros jornalistas exilados pela ação de agentes do Estado brasileiro está na reportagem Compromisso de risco,da Revista de Jornalismo ESPM-CJR.  Escrita por Milton Bellintani, a matéria traz informações como esta:  “Nesses 20 anos, em plena democracia, houve o dobro de execuções de jornalistas do que na ditadura 1964-1985”. Leia aqui a matéria toda aqui. E me diga se não dá vontade de agir para mudar tudo isso. Bora?