Pilantropia do caralho

O MENELICK 2º ATO

Um exemplo fornecido por Sérgio Franco exemplifica como o grapixo pode incorporar em sua estética aspectos críticos e criatividade sem abrir mão da transgressão. Um grupo de grafiteiros/pixadores foi contratado para cobrir a agência de um banco famoso [o BankBoston] localizado numa região nobre de São Paulo. A ação seria capitaneada como um exemplo de inclusão, tolerância e contemporaneidade por parte do banco. No decorrer dos trabalhos, um artista colocou frases totalemtne legíveis aos não iniciados no universo da pixação que remetiam a ideias como povo e pobreza. Funcionários do banoc advertiram o artista e solicitaram que ele continuasse a fazer desenhos ou se utilizar de uma lingaugem mais abstrata. O artista, contrariado, seguiu a orientação e escreveu em letras no estilo codificado da pixação, o que passou despercebido para os funcionários do banco: “Pilantropia do caralho desse banco de bosta.”

Do artigo Transgressão e Arte: o Brasil e o seu lugar na street art global, de Márcio Macedo (Kibe), publicado em O Menelick 2º Ato, uma revista de cultura negra muito bacana.

O detalhe se assemelha ao todo

vida secreta arvores

A morada do criador
O pimpol é a morada do Criador. É uma árvore cultivada pelos hindus e povos da floresta. Eles vêm de longe para fazer suas preces despejando água no seu tronco. O pimpol é tão perfeito que, visto contra o céu, parece ter a forma igual à de sua folha. O detalhe se assemelha ao todo.

Do livro A vida secreta das árvores, que reúne ilustrações e palavras da tribo gonde, da Índia Central, para quem “a fortuna cabe àqueles cujos olhos encontram uma boa imagem”. Os livros são feitos à mão, por meio de serigrafia (dá para ver o processso aqui), e são uma beleza.