Coisa forte

viralataemacao

Era para aquele universo que os dois haviam sido chamados a produzir um gibi. E não qualquer gibi. Tinha que ser uma história poderosa, capaz de convencer os detentos a trepar de camisinha e largar de mão o pico na veia. Uma história em quadrinhos que ajudasse a reduzir a epidemia de AIDS do maior presídio da América Latina — era a missão de Magrão e Libero.

Tinha que ser “coisa forte”. E isso eles tinham. Desde 1991, quando publicaram a primeira história do Vira-Lata.

Trecho de reportagem que escrevi para o site da Vice. Boa de apurar, boa de escrever. Deve ter ficado boa de ler.

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As taras, digo, tiras de Andrício

Capa da coletânea de tiras do André: prefácio de Allan Sieber

Foi ele quem aprimorou a qualidade da prosa de Dostoiévski, ao aconselhar o velho russo a deixar de confiar no corredor do Word. Não fosse por ele, em vez de A Banda, Chico Buarque teria composto A Bunda, lançando o axé nos anos 60. Passagens como estas da pitoresca biografia de Andre Cintra de Souza, o Andrício, faziam parte de seus blogs Eu não sou virgem, Maria! e Eu não sou mané, Garrincha!, que ele mantinha quando nos conhecemos, há quatro anos. Eu gostava dos dois sites, mas acho que o fã-clube do cara não tinha muitos outros membros além de mim. O trabalho do André só ficou conhecido quando ele resolveu adicionar um traço vagabundo de caneta azul ao seu texto e criou as tiras do Andricio de Souza.com.

As tiras vão agora sair em livro: As 100 primeiras e melhores tirinhas de Andrício de Souza, pela editora Multifoco, com prefácio de Allan Sieber. Andrício está fazendo tanto sucesso que não tem mais tempo para os amigos. Tive que encher muito o saco dele e aceitar várias propostas indecorosas até que Andrício aceitasse me ceder dez minutos da sua concorrida agenda de jornalista desempregado para uma entrevista.

Como uma das condições exigidas por Andrício em troca da entrevista era que eu elogiasse o livro, mesmo sem ler, aí vai. Sim, vale a pena comprar As 100 primeiras e melhores tirinhas de Andrício de Souza. Por dois motivos. Para começar, Andrício tem o olhar de um moleque. Um moleque que sabe fazer a gente rir com o que encontra de mais ridículo por aí, que tanto podem ser uma versão putaria do Jokenpô como a postura de um prefeito que pensa em criminalizar sopões para moradores de rua. Ao mesmo tempo, é um moleque que sabe escolher seus alvos e tem suficiente noção para mirar seu estilingue nas vidraças das coberturas, em vez de acertar as janelas dos barracos.

O outro motivo é pessoal. Se o livro der dinheiro, André finalmente poderá pagar um tratamento psiquiátrico para a sua estranha mania de se deixar fotografar com cachorros de estranhos que conhece na rua. Por isso, amigos, peço que colaborem. Comprem o livro. Não conheço causa mais nobre.

Andrício pratica seu vício grotesco (ele é o que está sem coleira)


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